Ficha Nacional de Registro de Hóspedes: o que é e como enviar
A Ficha Nacional de Registro de Hóspedes (FNRH) é o registro obrigatório de cada hóspede que todo meio de hospedagem precisa fazer e enviar ao Ministério do Turismo. Desde 20 de abril de 2026 ela só vale em formato digital, pela plataforma FNRH Digital, ligada ao SNRHos. A base legal é o art. 26 da Lei 11.771/2008, regulamentado pela Portaria MTur nº 41/2025.
Por Denise Sato5 min de leitura
FNRHregulamentaçãocheck-in digital
O que é a Ficha Nacional de Registro de Hóspedes?
A Ficha Nacional de Registro de Hóspedes — a FNRH — é o registro individual de cada pessoa que se hospeda no seu estabelecimento: quem é, de onde veio, por que está viajando e quanto tempo fica. Ela não é papelada interna: é uma obrigação legal prevista no art. 26 da Lei nº 11.771/2008, a Lei Geral do Turismo, que manda os meios de hospedagem fornecerem ao Ministério do Turismo o perfil dos hóspedes recebidos e o registro quantitativo de ocupação.
Se você conhece a sigla FNRH mas nunca associou ao nome por extenso, é a mesma coisa. E se você só conhece "a ficha do hóspede" que ficava numa gaveta da recepção, é ela também — só que agora ela vive na plataforma do governo.
O que mudou em 20 de abril de 2026?
A ficha deixou de ser papel. A Portaria MTur nº 41, de 14 de novembro de 2025 instituiu a FNRH em meio digital e determinou, no parágrafo único do art. 3º, que ela "substitui integralmente o formulário físico", produzindo "os mesmos efeitos dos registros anteriormente efetuados em papel", ressalvadas as hipóteses de contingência. O prazo de entrada em vigor foi adiado em 60 dias pela Portaria MTur nº 4/2026 e passou a valer em 20 de abril de 2026, conforme anúncio do próprio Ministério do Turismo.
Ou seja: a data já passou. Quem continua só com a prancheta na recepção não está atrasado para um prazo futuro — está irregular hoje.
Quem é obrigado a fazer o registro?
Todos os meios de hospedagem. O art. 23 da Lei Geral do Turismo define meio de hospedagem como o estabelecimento destinado a prestar serviço de alojamento temporário, em unidades de uso exclusivo do hóspede, mediante contrato — tácito ou expresso — e cobrança de diária. Hotel, pousada, hostel, flat, resort e apart-hotel entram nessa definição.
A adesão, porém, ainda é minoria: até o fim de abril de 2026, apenas 3.406 dos 19.231 estabelecimentos cadastrados haviam aderido à ficha digital — cerca de 18%, segundo o Ministério do Turismo. Oito em cada dez hospedagens formais seguem fora da regra. Se você está entre elas, está em maioria — o que não muda nada quando a fiscalização chega.
O que é o SNRHos e como a ficha chega até ele?
O SNRHos é o Sistema Nacional de Registro de Hóspedes: o destino final dos dados. A plataforma FNRH Digital é a porta de entrada, e o que você registra nela alimenta a base do Ministério do Turismo. Segundo o manual de uso oficial da FNRH Digital, o envio das informações de check-in e check-out acontece em tempo real para o MTur, e os dados são validados diretamente nas bases do governo.
Na prática, isso encerra a lógica antiga de "juntar as fichas e mandar depois". O registro é o próprio envio.
Quais dados a ficha exige?
O manual do MTur organiza os campos em cinco blocos. Nenhum deles é opcional por conveniência da recepção:
| Bloco | O que entra |
|---|---|
| Identificação | Nome completo, tipo e número do documento (CPF ou passaporte), nacionalidade, data de nascimento, gênero, raça/etnia |
| Residência | Cidade e estado de residência do hóspede |
| Informações adicionais | Deficiência e, se houver, o tipo |
| Dados da viagem | Motivo da viagem (lazer, negócios, eventos), meio de transporte, entrada e saída previstas |
| Histórico | Pré-check-in, check-in, check-out e criação da ficha |
Repare no que a lista revela: metade dos campos não é sobre o documento do hóspede, é sobre comportamento de viagem. É por isso que o Ministério quer o dado — a FNRH é a matéria-prima da estatística oficial de turismo do país.
Como enviar a FNRH na prática: os três caminhos
| Caminho | Como funciona | Para quem |
|---|---|---|
| Direto na plataforma | O responsável cadastra o meio de hospedagem, cria as reservas e lança hóspede a hóspede pelo navegador | Casa pequena, volume baixo, sem sistema próprio |
| Pré-check-in pelo hóspede | O hóspede preenche os próprios dados antes de chegar, com acesso via QR Code e login Gov.br | Quem quer tirar a digitação da recepção |
| Integração pelo PMS | O sistema de gestão conversa com a API da FNRH usando uma chave (usuário + chave) e envia sem redigitação | Quem já tem PMS e não quer operar dois sistemas |
O terceiro caminho é o único que escala, mas exige que o seu fornecedor tenha feito a integração. Pergunte a ele — por escrito — se o PMS já transmite para a FNRH Digital e desde quando.
Checklist: da recepção ao envio, em 6 passos
- Confirme o Cadastur ativo. Sem cadastro válido, não há como registrar o meio de hospedagem na plataforma.
- Cadastre o estabelecimento e os responsáveis na FNRH Digital — CNPJ, razão social, nome fantasia, estado e cidade são obrigatórios.
- Pergunte ao seu PMS se ele integra. Se integrar, peça a chave de API e teste com uma reserva real antes de confiar.
- Colete os dados antes da chegada. Link enviado na confirmação da reserva resolve a fila e o erro de digitação.
- Confira no check-in, não digite no check-in. A recepção passa a validar o que o hóspede já preencheu.
- Acompanhe o log de erros. Integração que falha em silêncio vira passivo: a estadia aconteceu e o dado não chegou.
Este guia é informativo e não substitui orientação jurídica. Regra de turismo muda por portaria, e portaria muda rápido — confirme a versão vigente no site do Ministério do Turismo e, em caso de dúvida sobre o seu enquadramento, consulte seu advogado ou contador.
A ViaHotel coleta os dados do hóspede antes da chegada, no padrão de campos da FNRH, com o hóspede preenchendo do próprio celular — e você confere tudo num painel só. O pré-check-in padrão FNRH está no plano Premium; a página do hóspede com IA começa em R$ 29/mês. Teste 14 dias grátis, sem cartão.