Multa da FNRH: o que a lei prevê e quanto custa ficar irregular
A Lei Geral do Turismo prevê multa de R$ 350,00 a R$ 1.000.000,00 para quem descumpre suas obrigações — e a FNRH é uma delas. O teto de R$ 1 milhão existe, mas não é automático: o art. 36 lista quatro penalidades, que podem ser aplicadas juntas, e a gradação dos valores fica em regulamento. Veja o que dispara autuação e como regularizar.
Por Denise Satoatualizado em 09 de agosto de 20264 min de leitura
FNRHregulamentaçãomultas
Existe multa por não enviar a FNRH?
Sim. A Ficha Nacional de Registro de Hóspedes é obrigação legal prevista no art. 26 da Lei nº 11.771/2008, e descumprir a Lei Geral do Turismo sujeita o prestador de serviço turístico às penalidades do art. 36 da mesma lei. Não é infração "de papelada": é infração à lei do setor, fiscalizada pelo Ministério do Turismo.
De quanto é a multa da FNRH?
O valor não é fixo. O art. 36, § 3º da Lei nº 11.771/2008 estabelece, com todas as letras, que "a penalidade de multa será em montante não inferior a R$ 350,00 (trezentos e cinquenta reais) e não superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais)".
Vale dizer o que muita manchete omite: o teto de R$ 1 milhão é o limite da lei, não o valor da autuação. O § 4º do mesmo artigo remete a regulamento os critérios de gradação — o que significa que porte, gravidade e reincidência entram na conta. Uma pousada de oito quartos que nunca aderiu à plataforma não recebe automaticamente a multa máxima. Mas também não recebe nada de graça.
Quais são as penalidades previstas, além da multa?
Quatro, e o § 1º do art. 36 permite aplicá-las isolada ou cumulativamente:
| Penalidade | O que significa na prática |
|---|---|
| Advertência por escrito | Notificação formal. Não dispensa a obrigação de regularizar — se você não corrigir, vem penalidade mais grave |
| Multa | De R$ 350,00 a R$ 1.000.000,00, com gradação definida em regulamento |
| Interdição | Do local, da atividade, da instalação ou do estabelecimento. Mantida até a regularização completa |
| Cancelamento do cadastro | Perda do registro no Cadastur — e, com ele, do direito de operar como meio de hospedagem formal |
A ordem da tabela não é a ordem obrigatória. A última linha é a que costuma passar despercebida e é a mais cara: sem Cadastur ativo, você perde acesso a linhas de crédito do setor, a programas do Ministério e à própria plataforma da FNRH — ou seja, fica impedido de se regularizar pelo caminho normal.
Quem fiscaliza?
O art. 35 da Lei Geral do Turismo, na redação dada pela Lei nº 14.978/2024, atribui ao Ministério do Turismo a fiscalização do cumprimento da lei no âmbito de sua competência. Na ponta, é comum a atuação conjunta com órgãos estaduais de turismo, Procon e vigilância sanitária, cada um dentro da sua competência.
O que dispara uma autuação?
Nenhum órgão publica um gatilho automático, então trate a lista abaixo como risco, não como regra:
- Não estar na plataforma. A ausência é o sinal mais visível — a adesão é registro público de quem aderiu.
- Denúncia de hóspede. Fila na recepção e pedido de dados em papel viraram anomalia depois de abril de 2026.
- Fiscalização de rotina em destino turístico, especialmente em alta temporada e durante grandes eventos.
- Inconsistência entre o que você declara e o que registra — ocupação alta e fichas de menos.
- Reincidência. O § 5º do art. 36 é explícito: reincidir enseja penalidade mais grave.
Quanto custa ficar irregular, mesmo sem multa?
A conta que quase ninguém faz é a operacional. Registro em papel significa digitar duas vezes, guardar fisicamente, procurar quando alguém pede — e fila no balcão. Fila vira nota baixa, e nota baixa custa receita: hotéis que respondem bem e agilizam o atendimento têm desempenho até 12% melhor em RevPAR, segundo estudo da TrustYou com 25 mil hotéis. O risco de autuação é incerto; esse custo é todo dia.
Como regularizar antes da próxima fiscalização
| Passo | Prazo realista |
|---|---|
| Conferir se o Cadastur está ativo e sem pendência | 1 dia |
| Cadastrar o meio de hospedagem e os responsáveis na FNRH Digital | 1 dia |
| Perguntar ao fornecedor do PMS se há integração e pedir a chave de API | 2 a 5 dias (depende dele) |
| Ativar coleta de dados antes da chegada e treinar a recepção | 1 semana |
| Rodar uma semana em paralelo, conferindo o que chegou | 1 semana |
Duas a três semanas, portanto — desde que a resposta do fornecedor não trave o processo. Comece pela pergunta a ele, que é a etapa que não depende de você.
Este guia é informativo e não substitui orientação jurídica. Antes de decidir sobre autuação recebida ou enquadramento específico, consulte seu advogado.
Enquanto você regulariza, a fila continua na recepção. A ViaHotel coleta os dados do hóspede antes da chegada, no padrão de campos da FNRH, e entrega tudo conferido num painel só — no ar em 10 minutos. Teste 14 dias grátis, sem cartão.